Como Amsterdam se tornou Bike Friendly

Amsterdan é tida como a “capital da bicicleta no mundo”. Mas poucos se perguntam; Como a cidade se tornou mais bike-friendly? Muitas vezes em Belo Horizonte e qualquer cidade que tenta implementar medidas para incentivar o uso da bicicleta escutamos a frase: Aqui não é Amsterdam. A maioria desconhece a  história da cidade holandesa e o desenvolvimento da cultura do ciclismo por lá.

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Entre 1960 e 1970, o número de viagens de automóveis em Amsterdam quadruplicou e isso levou a um aumento em acidentes de carro e mortes. Começou então um forte movimento de grupos de ciclistas e populares por uma cidade mais habitável, com velocidades mais baixas e menos carros.

Um desses  foi o Movimento dos Provos.  Um grupo que residia na cidade na década de 60. A idéia  era fornecer soluções práticas aos problemas das pessoas. No ano de 1964, os Provos lançaram um projeto que ficou conhecido como “Projeto Bicicletas Brancas”. A criação de tal idéia se deu face aos problemas que Amsterdam estava tendo com relação ao transito. Primeiramente propuseram ao governo o fechamento do centro da cidade para veículos automotivos, o que aliviaria 40% do tráfego. Aliada à esta proposta estava a concessão de 20 mil bicicletas a serem disponibilizadas pelo governo para a população. A proposta foi negada sem hesitação.

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Como afronta ao governo foram pintadas, então, inúmeras bicicletas de branco, e em seguida, espalhadas pela cidade para uso da população. Elas poderiam ser utilizadas por qualquer cidadão, contanto que após o uso fossem devolvidas às ruas. A polícia apreendeu as bicicletas, sob a justificativa de que elas infringiam a lei municipal que proíbe abandonar bicicletas sem prendê-las. Após as bicicletas serem devolvidas aos Provos, eles as equiparam todas com cadeados de combinação, e pintaram a combinação nas próprias bicicletas.

O plano não chegou a durar longos anos, mas foi tão bem-sucedido que serviu de base pra o que hoje conhecemos como bicicletas comunitárias.

A mudança de paradigma  só veio após o embargo do petróleo de 1973 que ameaçou cortar o fornecimento dessa matriz energética na economia, o que significou o retorno de Amsterdã para bicicletas, num esforço para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.

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O mais interessante sobre Amsterdam é que a cidade, a assim como várias outras pelo mundo, deu prioridade ao automóvel depois da Segunda Guerra Mundial. Espremendo pedestres, bicicletas e acabando com os bondes.  Se tornar uma cidade bike friendly não era algo óbvio á época. O mesmo ocorre agora na Ásia onde centenas de milhares de bicicleta estão dando lugar ao automovel. Há relatos de risos de especialista que chegam ao continente e vão falar sobre bicicletas. O resultado já pode ser observado em Pequim.

Visão do inferno em Pequim.

Visão do inferno em Pequim.

Mas voltando a Amasterdam, hoje,  turistas e moradores achariam difícil acreditar na imagem de ruas e praças, queridas da cidade,  dominadas por carros e estacionamentos há apenas algumas décadas. A certamente desconhecem o fato dessa mudança ter enfrentado uma feroz oposição a época.  Medidas que tornaram o estacionamento mais caro e não foram populares. Empresários e lojistas protestaram, alegando que menos espaços de tráfego e estacionamento em frente aos seus empreendimentos iriam ameaçar seus meios de subsistência. Mas as autoridades implementaram um programa progressivo e ambicioso de reduzir; a velocidade dos carros, espaço e disponibilidade de estacionamento. Sua visão transformou a cidade, para o lugar habitável que é hoje. Os carros não foram totalmente proibidos, mas o reordenamento do espaço tornou o automovel o menos conveniente entre os modais para deslocamentos urbanos, e melhorou o trafego para pedestres, ciclistas e usuários dos transportes públicos.

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Enquanto muita gente pensa que Amsterdam é a prova de que os holandeses nasceram  para pedalar, tanto quanto os brasileiros nasceram para dirigir, ao estudar o CASE de Amsterdam concluimos que isso não poderia estar mais longe da verdade. O que a cidade holandesa  pode nos ensinar é como as metropoles podem ser maleáveis ​​- na alocação de espaço e design, nas  decisões que transformam qualquer carro, bicicleta e cidadãos em mais amigáveis. Minha esperança é que mais pessoas entendam que Amesterdam não nasceu bike friendly. Ela se tornou pela escolha de muitas pessoas.

Para os céticos que pensam que BH nunca será uma cidade bike-friendly estas imagens.

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Aqui temos a BH em Ciclo. Uma associação de ciclista que está trabalhando para tornar BH cada vez mais ciclavel. A implementação do Bike BH teve ativa participação da ONG.

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Voluntário do Bike Anjo BH ensinam pessoas a pedalar.

Foto Bike Anjo BH

Fontes: http://criefuturos.com/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Provos

http://sustainableamsterdam.com/2015/04/how-amsterdam-became-bike-friendly/

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