1

Exposição em BH lança um olhar sobre bicicletas abandonadas na Europa 

“En rueda está el silencio detenido,
Y en freno congelado la distancia.
Que lejano está el pie, como se ha ido.
La infancia del pedal sobre la infancia…

Tan inmóvil pedal dormido ahora.
Por la lluvia de ayer que te evapora.
Tu perdida niñez de bicicleta”

(Trecho do poema Bicicleta abandonada en la lluvi – Miguel Arteche – Francisco Villa)

 
Quando viajamos a lugares distantes e desconhecidos as paisagens e planos abertos sempre nos chamam a atenção. Mas quem ama as bicicletas sempre a enxergara no detalhe da cidade, mesmo que abandonadas. Foi o que fez o fotógrafo Bruno Senna que registrou bicicletas abandonadas em cidades europeias. A exposição “A MORTE DAS BICICLETAS” que abre no dia 4 de agosto no Café com Letras, provoca uma reflexão sobre a vida útil e o abandono das magrelas. Pelas lentes de Bruno Senna, o que seria lixo urbano para alguns vira arte. A mostra traz imagens de bicicletas que foram descartadas, a maioria delas deixadas em lugares públicos, pelas ruas da Holanda, Alemanha e Itália.

 
Por meio das imagens, o fotógrafo sugere uma reflexão sobre o paradoxo entre o grande incentivo ao uso da bicicleta no Brasil e o abandono pelo cidadão europeu, algo que que é ignorado pela sociedade como algo habitual. Outro aspecto levado pelos registro de Bruno está na diferença do fim entre as magrelas na América Latina e na Europa. Para ele, não há abandono em nosso continente, pois as pessoas costumam pegar, reformar, revender. “Na Europa o custo é muito baixo que ela acaba virando lixo nas ruas. Ao me deparar com esse cenário, enxerguei poesia nele”, conta o fotografo ao lembrar da foto que tem uma árvore que cresceu e tomou uma bicicleta. “Seria como a vida engolindo a morte”, finaliza

 
Bruno Senna é fotografo e filmmaker desde 2006. Trabalhou durante seis anos na da Revista Ragga”dos Diários Associados. Trabalha também como freelancer para marcas com Red Bull e The North Face Brasil. Em 2011, lançou “My First Mountain”, documentário que rodou os principais festivais defilmes de aventura do país. Em 2012 foi diretor do curta “Justiçamento”, que participou do Short Film Corner em Cannes e Diretor de Fotografia do curta”+”. Além disso, tem no seu portfólio comerciais e clipes de bandas. Atualmente é o fotógrafo oficial da “Revista do Cruzeiro Esporte Clube” e do Geopark do Quadrilátero Ferrífero.

Serviço:

Exposição fotográfica “A Morte das Bicicletas”      Abertura: 4 de agosto de 2015, às 19h, no Café com Letras. Quem for de bicicleta na Abertura ganha uma bebida.

Visitação: entre 4 a 25 de agosto, no Café Com Letras, rua Antônio de  Albuquerque, 781 – Savassi.
Horário: segunda a quinta, das 12h à 0; sexta e sábado, das 12h à 1h e, aos domingos, das 17h às 23h.

Informações e reservas: (31) 3225-9973.

Link do evento no facebook.

0

Como Amsterdam se tornou Bike Friendly

Amsterdan é tida como a “capital da bicicleta no mundo”. Mas poucos se perguntam; Como a cidade se tornou mais bike-friendly? Muitas vezes em Belo Horizonte e qualquer cidade que tenta implementar medidas para incentivar o uso da bicicleta escutamos a frase: Aqui não é Amsterdam. A maioria desconhece a  história da cidade holandesa e o desenvolvimento da cultura do ciclismo por lá.

amsterdam

Entre 1960 e 1970, o número de viagens de automóveis em Amsterdam quadruplicou e isso levou a um aumento em acidentes de carro e mortes. Começou então um forte movimento de grupos de ciclistas e populares por uma cidade mais habitável, com velocidades mais baixas e menos carros.

Um desses  foi o Movimento dos Provos.  Um grupo que residia na cidade na década de 60. A idéia  era fornecer soluções práticas aos problemas das pessoas. No ano de 1964, os Provos lançaram um projeto que ficou conhecido como “Projeto Bicicletas Brancas”. A criação de tal idéia se deu face aos problemas que Amsterdam estava tendo com relação ao transito. Primeiramente propuseram ao governo o fechamento do centro da cidade para veículos automotivos, o que aliviaria 40% do tráfego. Aliada à esta proposta estava a concessão de 20 mil bicicletas a serem disponibilizadas pelo governo para a população. A proposta foi negada sem hesitação.

213provo

Como afronta ao governo foram pintadas, então, inúmeras bicicletas de branco, e em seguida, espalhadas pela cidade para uso da população. Elas poderiam ser utilizadas por qualquer cidadão, contanto que após o uso fossem devolvidas às ruas. A polícia apreendeu as bicicletas, sob a justificativa de que elas infringiam a lei municipal que proíbe abandonar bicicletas sem prendê-las. Após as bicicletas serem devolvidas aos Provos, eles as equiparam todas com cadeados de combinação, e pintaram a combinação nas próprias bicicletas.

O plano não chegou a durar longos anos, mas foi tão bem-sucedido que serviu de base pra o que hoje conhecemos como bicicletas comunitárias.

A mudança de paradigma  só veio após o embargo do petróleo de 1973 que ameaçou cortar o fornecimento dessa matriz energética na economia, o que significou o retorno de Amsterdã para bicicletas, num esforço para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.

amsterdam2
O mais interessante sobre Amsterdam é que a cidade, a assim como várias outras pelo mundo, deu prioridade ao automóvel depois da Segunda Guerra Mundial. Espremendo pedestres, bicicletas e acabando com os bondes.  Se tornar uma cidade bike friendly não era algo óbvio á época. O mesmo ocorre agora na Ásia onde centenas de milhares de bicicleta estão dando lugar ao automovel. Há relatos de risos de especialista que chegam ao continente e vão falar sobre bicicletas. O resultado já pode ser observado em Pequim.

Visão do inferno em Pequim.

Visão do inferno em Pequim.

Mas voltando a Amasterdam, hoje,  turistas e moradores achariam difícil acreditar na imagem de ruas e praças, queridas da cidade,  dominadas por carros e estacionamentos há apenas algumas décadas. A certamente desconhecem o fato dessa mudança ter enfrentado uma feroz oposição a época.  Medidas que tornaram o estacionamento mais caro e não foram populares. Empresários e lojistas protestaram, alegando que menos espaços de tráfego e estacionamento em frente aos seus empreendimentos iriam ameaçar seus meios de subsistência. Mas as autoridades implementaram um programa progressivo e ambicioso de reduzir; a velocidade dos carros, espaço e disponibilidade de estacionamento. Sua visão transformou a cidade, para o lugar habitável que é hoje. Os carros não foram totalmente proibidos, mas o reordenamento do espaço tornou o automovel o menos conveniente entre os modais para deslocamentos urbanos, e melhorou o trafego para pedestres, ciclistas e usuários dos transportes públicos.

amsterdam3

Enquanto muita gente pensa que Amsterdam é a prova de que os holandeses nasceram  para pedalar, tanto quanto os brasileiros nasceram para dirigir, ao estudar o CASE de Amsterdam concluimos que isso não poderia estar mais longe da verdade. O que a cidade holandesa  pode nos ensinar é como as metropoles podem ser maleáveis ​​- na alocação de espaço e design, nas  decisões que transformam qualquer carro, bicicleta e cidadãos em mais amigáveis. Minha esperança é que mais pessoas entendam que Amesterdam não nasceu bike friendly. Ela se tornou pela escolha de muitas pessoas.

Para os céticos que pensam que BH nunca será uma cidade bike-friendly estas imagens.

BH-antes-e-depois-do-MOVE

10425853_729758950479683_9089169148754242533_n 11008469_729758567146388_5896509105083522205_n 11202807_729758487146396_6170782983021637602_n 11233770_729758253813086_2517939631559526860_n 11745726_759578580831053_7132828162297058489_n

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Aqui temos a BH em Ciclo. Uma associação de ciclista que está trabalhando para tornar BH cada vez mais ciclavel. A implementação do Bike BH teve ativa participação da ONG.

20140827-221435-80075038

Voluntário do Bike Anjo BH ensinam pessoas a pedalar.

Foto Bike Anjo BH

Fontes: http://criefuturos.com/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Provos

http://sustainableamsterdam.com/2015/04/how-amsterdam-became-bike-friendly/

0

Segundo veículo

“Eu venho de carro de Betim por que o transporte de lá para cá é muito ruim mas, aqui na região central eu acho mais prático, rápido e barato a bicicleta. Estou há quatro meses usando o sistema Bike BH e ja quero comprar uma dobrável para trazer no carro e usá-la como meu segundo veículo”. Mateus Freire
IMG_9595 IMG_9599

0

A bicicleta é inclusiva

“Há seis meses passei a usar o sistema Bike BH para me deslocar no centro. Como o sistema tem muitas falhas comprei a minha própria bicicleta, mas foi importante pois com o bike share consegui pegar alguns “macetes” para pedalar na rua. Além de todos os benefícios físicos, econômicos e ambientais, usar a bicicleta aqui está sendo muito gostoso porque acabei fazendo novos amigos que também pedalam. Me sinto parte de uma  que uma comunidade e isso por si só já faz uma grande diferença” Gabriel Ruas.
IMG_9578

4

Belo Horizonte ganha segundo Bike Café

11659320_10206094035341176_3879747201500008938_n

Foto: Acervo Pessoal/Zumberto

Este mês foi inaugurado em Belo Horizonte o segundo Bike Café. O Seat Post – Cycle Works and Café é uma iniciativa de dois ciclistas; Fred Fita e Zumberto integrantes do Dizzy Rider´s, e fica no Bairro Santo Antônio, praticamente há três quadras da Praça da Savassi. Além da oficina para manutenções rápidas o local oferecerá comes e bebes. Os cicloempreendedores  não querem definir o espaço em um conceito fechado mas um objetivo já deixam claro: o local será para fortalecer as interações da comunidade ciclística urbana de BH.

IMG_1938

Zumberto. Foto: Gil Sotero

“Queremos aumentar as interações e fortalecer as relações da comunidade! Nosso espaço está pronto para recebê-lo e nossos serviços tomando forma. Pedimos paciência, compreensão e (porque não) cooperação neste momento inicial na qual as atividades se adequam. Vislumbramos a construção de um local que contribua para o crescimento da bicicultura na cidade. Venha brindar conosco”, escreveu Zumberto.

IMG_1889

Foto: Gil Sotero

11705289_10206126814520635_6926292959746435418_n

11168948_750373008418341_2912456609707982838_n

Fred Fita e Zumberto

O BH Cycle Chic esteve no local e conferiu o espaço! Descontraído e cheio de ferramentas será com certeza um grande point na região. Vida longa ao SEAT POST e que venham outros para fortalecer a bicicultura em BH!

Serviço:

Seat Post – Cycle Works and Café
Rua Leopoldina 170 Lj. 4, Santo Antônio.

seat

0

PARQUES DE BH PODEM LIBERAR ENTRADA DE BICICLETAS

Gil Sotero pedalando no Parque Municipal Jacques Cousteau. Foto W. Odilon

Gil Sotero pedalando no Parque Municipal Jacques Cousteau. Foto W. Odilon

A ampliação do direito de uso de bicicletas nos parques públicos é uma reivindicação antiga de ciclistas da capital. O tema é objeto de projetos em tramitação na Câmara de BH, dois dos quais receberam parecer pela aprovação em reunião da Comissão de Meio Ambiente e Política Urbana em maio. Em 1º turno, a comissão emitiu parecer pela aprovação ao PL 1408/14, de autoria do vereador Adriano Ventura (PT). Segundo o texto, a circulação de bicicletas de pequeno porte (aros 12, 14 e 16) fica autorizada nas áreas previstas no regulamento de cada parque. Ainda de acordo com o projeto, bicicletas de médio e grande porte poderiam trafegar em áreas definidas por uma comissão especialmente criada para esse fim. A proposta é que o colegiado seja coordenado pela Fundação de Parques Municipais e conte com representantes da BHTrans, da Câmara de BH e da sociedade civil.
Na mesma reunião, a comissão emitiu parecer pela aprovação, em 2º turno, de emenda ao projeto de lei 934/13, de autoria de Pablo César-Pablito (PV). Apresentada pelo vereador Wagner Messias-Preto (DEM), a emenda sugere que fique autorizada a entrada de bicicletas não motorizadas, de qualquer porte, nos parques do município, à exceção do Parque das Mangabeiras e da Serra do Curral. Ainda de acordo com a emenda, a utilização das bicicletas só será permitida em áreas ostensivamente indicadas, previstas no regulamento dos parques. Antes de serem submetidos à sanção ou veto do prefeito, os dois projetos de lei precisam ser aprovados em dois turnos pelo Plenário da Câmara.

“A expectativa é que o projeto lei seja votado  no segundo semestre de 2015 e que ainda no primeiro trimestre de 2016 os parques municipais  liberem a entrada das bicicletas.  É grande a frustração da comunidade ciclística de Belo Horizonte por não poder frequentar os parques da cidade, a exceção do Parque Ecológico que já recebe todos. Os parques são ambientes calmos, arborizados, e perfeitos para pedalar, basta escrever as regras de convivência e os ciclistas e pedestres estarão seguros”, Gil Sotero, jornalista e cicloativista.

Fonte; DOM Belo Horizonte