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Do jeito que eu quero 

“Quem fala que BH não é para bicicleta nunca tentou. A cidade tem corredores cicláveis que com pouco investimento possibilitarão irrestrito acesso. Para não suar, vou devagar. Depois que comecei a pedalar vi que podia sair bem mais à vontade. Em setembro passado, por exemplo, quando fez muito calor, eu me desloquei para o trabalho de sunga, mochila e tênis e vesti roupa somente no estacionamento. Se não tiver cauda, qualquer roupa que vista (ou não) serve para pedalar, rs”. Samuel Lima Xisto, professor. 

  

 

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Pedalando “in memorian” 

“Namorei durante anos com um ciclista, que pedalava pela cidade antes mesmo da bicicleta ter a visibilidade que tem hoje. Pedalávamos juntos, ele tinha uma speed e eu a mesma bicicleta que tenho hoje. Ele era professor, ia pra escola, pra minha casa, pra UFMG. Como geógrafo ele era muito crítico da forma como a cidade estava organizada, por isso escolheu a bicicleta. Um dia há 5 anos ele foi atropelado enquanto pedalava e faleceu. Naquela época a visibilidade dos ciclistas era bem menor, quase não víamos grupos e organizações de defesa dos ciclistas. Fiquei todos esses anos sem pedalar. A experiência de perda é uma coisa marcante na vida. Quando voltei a pedalar não tive coragem de usar como meio de transporte, só para lazer. Mas depois o medo foi passando e agora uso a bicicleta diariamente. Pedalar na minha bicicleta me remete a uma imediata sensação de prazer, liberdade e eu me lembro dele todos os dias. É uma forma de honrar a memória dele e o manter vivo”. Talita Barcelos.

“Ī have dated a guy who was a cyclist and we used to ride together. He was a teacher, so he used to go to school, to my house, to the university ,etc, all by bike. He was very critical of the way the city was organized, so he chose the to ride. One day, 5 years ago, he was using his bike, when he was run over and died. I stopped using the bike for many years. The  experience of loss is a remarkable thing in a person’s life. When I got back to ride I did not dare to use it  as a daily transportation, just for recriation. After some time I wasn’t feeling scared anymore and now, I use the bicycle everyday. Riding my bicycle brings me an immediate sense of pleasure, freedom and It reminds me him. It is a way to honor his memory and keep it alive “. Talita Barcelos
   
     

   
   

In memorian (Ricardo)

  

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Acreditar e pedalar 

“Eu era desses que acreditava que Belo Horizonte não era uma cidade para se andar de bicicleta. Eu olhava as pessoas e pensava: nossa muito animado esse povo. Depois eu viajei e observei como as pessoas utilizam a bicicleta lá fora resolvi comprar uma e sem nunca ter andado por BH. Há mais de um ano e meio  faço todos os dias meu trajeto com a minha dobrável. Deixei de usar carro e moto e hoje o dia que eu não pedalo o dia não é o mesmo”. Diego Ávila, funcionário público. 

   

 

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Seguindo o Rio 

“Há um ano vendi meu carro e só uso a bicicleta. É uma dimensão biopolítica pôr seu corpo num modal que vai contra a hegemonia organizacional da cidade centrada no motor. Quando tinha carro eu ia visitar menos minha mãe e com a bicicleta vou muito mais. A bicicleta me fez descobrir como o rio me liga a minha família. Eu saio do bairro Santa Tereza até o Barreiro seguindo o Arruda. Então pedalando eu percebo e vivo a cidade em outra escala: a humana”. Joviano Mayer, advogado. 

   

       

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Tweed Ride promove passeio pela arquitetura de BH 

No próximo domingo, 17 de maio, o passeio mais charmosos de Belo Horizonte chega a sua 7ª edição promovendo uma viagem pela arquitetura da capital mineira. “A bicicleta tem tudo a ver com o acesso a cidade, com uma relação afetiva com varias partes dela que avistamos ao ar livre. Essa edição do Tweed será para celebrar isso e também uma oportunidade para registrar e conhecer as transformações que ela já viveu”, declarou Gil Sotero, um dos organizadores do Tweed.

O ponto de encontro terá tudo a ver com o evento: a casa art decô do Instituto Undió, uma construção da década de 50, época em que um córrego passava na rua Padre Belchior. Um café coado a moda antiga será servido aos participantes que foram estimulados a levar bolos e quitutes para acompanhar a bebida e compartilhar com os outros. O final do pedal será em outro point: o Café Pedal & Prosa que foi inaugurado na semana passada, conforme noticiamos aqui no Blog.

O passeio será guiado por arquitetas que explicarão detalhes e curiosidades das construções visitadas num percurso de 5km. Imperdível!.

Serviço

TWEED RIDE BH – OUTONO 2015
14h – Concentração – Café – Instituto Undió
Rua Padre Belchior 280 – Centro – BH
Informações: 31 982-4349
Gil Sotero

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Crescei e multiplicai-vos 

Você conhece alguém que precisa se deslocar a menos de 4 km de casa todos os dias? Que tel emprestar uma bici a ela é mostrar que é possível usar a magrela para ir ao trabalho, faculdade ou escola? Multiplique! 

“Comecei a pedalar há dois meses e ainda não tenho uma bicicleta (essa aqui é emprestada). Uso muito o Bike BH. Estou achando bem melhor do que pegar ônibus!  Taxi pra mim nem existe mais, rs”. Ana Cecília, estudante de design  

 

  

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De bike ao trabalho e com charme 

Na sexta passada, dia 8 de maio, realizamos em BH o Dia de Bike ao Trabalho. Aproveitei para registrar os ciclistas que cruzavam a Afonso Pena. A ciclovia da Bernado Monteiro está consolidada. O registro de ciclistas passando pelo local aumentou em 8 vezes em relação ao primeiro evento promovido em BH! 

Encontrei a Luísa indo para o trabalho com sua bicicleta.  

“Eu uso a bicicleta para ir ao trabalho há 1 ano. Nunca me interessei em ter um carro. Ia a pé mas depois que passei a usar a bike tudo ficou tão mais fácil! BH é uma cidade linda e gostosa de passear, quando tenho que fazer esses trajetos de carro me dá até angustia, sinto que estou perdendo alguma coisa lá fora, sabe? (além do tempo que se gasta no transito que suga sua energia/juventude completamente). Pedalando a sensaçao é de que você se integra a cidade, e de um jeito muito diferente, é lindo. É muita liberdade, é muita contemplaçao, é um percurso que faz a rotina daquele mesmo caminho ficar deliciosa”. Luísa Luz, estilista. 

  

  

  

  

  

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Estilo Dizzy

Assim que a bicicleta começou a ser produzida em larga escala um personagem surgiu para propagar o seu uso: os bike boys – ou bike courriers e ciclomensageiros. No livro Bicycle: The History de David Herlihy, há várias referências a eles. Em Paris já eram vistos trabalhando para a bolsa de valores. Em 1890 a Western Union empregou uma série de ciclomensageiros em NY, São Francisco e outras cidades. Com a motorização crescente os ciclistas foram substituídos e sumiram de muitas cidades mas, nos anos 80 com a inviabilidade do trânsito nos centros urbanos os bike boys voltaram com força. Outro fator também contribuiu para o crescimento das bicis nas entregas; o baixo custo de manutenção,  a rapidez ( geralmente a bicicleta é o meio de transporte mais rápido) e o fato de poderem carregar uma enorme variedade de itens que não podem ser enviados por meios digitais. Em BH já existem empresas desde a década de 90 e a tendência é crescer o número de bikes boys a medida que a frota de motocicletas aumenta e a bicicleta leva vantagem na hora de estacionar.  

Para além do serviço de entrega os ciclomensageiros são responsáveis por outros aspectos da bicicultura; o Alleycat (uma espécie de corrida informal de bicicleta onde o objetivo é cumprir um roteiro que ganha quem fizer no menor tempo) o Bike Polo que também vem crescendo pelo Brasil e etc.

Gustavo Leal é programador e ciclomensageiro em BH na empresa Dizzy Express. Com sua bianchi duo speed  encara as subidas e descidas de BH. 

   

 

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Savassi ganha o primeiro Parklet de BH 

  
Em meio ao concreto e ao corre-corre típico da Savassi, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, um convite ao descanso, entretenimento e à convivência foi feito a quem passou na Rua Antônio de Albuquerque ontem. O projeto piloto do BH Parklet estacionou na via, no cruzamento com Rua Sergipe, apresentando à cidade a primeira versão das minipraças instaladas em vagas de estacionamento, como extensão da calçada. A robusta estrutura de madeira conta com mesas, bancos, cadeiras, jardim e bicicletário e é um conceito importada de São Francisco, nos Estados Unidos. No Brasil, já está presente em São Paulo, Fortaleza e Porto Alegre. Em BH, a iniciativa montada por um dia – entre as 22h de sexta-feira e o mesmo horário de ontem –, despertou curiosidade de quem passou no local. Também chamou atenção de comerciantes e moradores do entorno que não só aprovaram a ideia, bem como apoiaram a instalação dos parklets permanentes.

No dia da primeira aparição, teve oficina para apresentar a iniciativa à cidade e mesas de debate sobre a vivência do espaço urbano, com temas relacionados à mobilidade e o direito à cidade. “O que deseja é que os parklets sejam apropriados pela população, porque ele não é só um projeto de arquitetura. É uma construção coletiva”, afirmou uma das idealizadoras do projeto, a cientista socioambiental Flávia Vale Dornelas. Entre as possibilidades de uso da estrutura, estão encontros ao ar livre, espaço para leitura, para atividades escolares, reuniões de grupo, manifestações artísticas, áreas para uso de internet wifi, entre outros. O que se deseja, segundo Flávia, é que o espaço seja integrado ao dia a dia da cidade.

E logo na manhã de ontem, essa vontade já tinha sido alcançada. No início de forma meio tímida, mas aos poucos encantando quem passou pelo local. Bastou passar e ver a estrutura para a aposentada Bete Soares de Matos, de 75 anos, se encantar com a instalação. “Moro na Savassi há 40 anos e acho que todas as iniciativas para deixar a região mais charmosas são bem-vindas. A minipraça enobreceu o espaço e ficou muito melhor do que se tivesse dois carros parados na rua”, afirmou a moradora da Rua Antônio de Albuquerque. “Gostaria que fosse permanente”, frisou.

Se depender da vontada da empresária Nyres Edim, de 51 anos, que tem uma loja em frente ao local onde o parklet foi instalado ontem, o desejo de Bete vai se tornar realidade. A comerciante participou da oficina para conhecer melhor o projeto e disse ter interesse em cofinanciar a implantação. “Pode haver quem pense que são duas vagas a menos. Mas quem vem à Savassi já costuma vir de carona, de táxi ou para em estacionamentos pagos. Além disso, o benefício da estrutura é muito maior do que o ganho com dois carros parados”, afirmou Nyres.

Na capital mineira, pelo menos 15 projetos de parklets permanentes estão sendo desenvolvidos para vias do interior do perímetro da Contorno. De acordo com um dos idealizadores do projeto, o engenheiro agrônomo Luamã Gabriel Lacerda, já há empresas e comerciantes interessados em financiar a implantação das estruturas, que têm custo variável a depender do projeto. Estudos feitos em São Paulo mostram que o investimento para instalar a estrutura varia entre R$ 20 mil e R$ 80 mil, com permissão para permanência de três anos. Em BH, o prazo estabelecido pela prefeitura é de dois anos, conforme o decreto do prefeito Marcio Lacerda, publicado em 13 de março, não há necessidade de licitação para a instalação dos parklets, apenas autorização da prefeitura. “Como é possível usar materiais recicláveis, o curto pode ser ainda menor”, explica Luamã.

Ele destaca ainda que a iniciativa voltada para promoção da convivência na rua e ampliação da ofeta de espaços públicos pode ter prazo de permancência prorrogado no local onde for instalado. E lembrou: “O acesso é livre à toda a população. Mesmo quando financiado pela iniciativa privada, não é possível que o investidor se beneficie da exploração comercial”, disse Luamã. Nesses casos, quem quiser custear a implantação pode ter sua marca vinculada ao parklet naquele local.


Reprodução: Jornal Estado de Minas