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Uma lição de vida: 56 anos pedalando em BH.

Em um dia de outubro de 2014 eu avistei este senhor pedalando uma Monark Barra Forte antiga. Como não deu para me aproximar e saber mais sobre ele postei na rede social para ver se alguém ajudava. Tempos depois veio uma pista.

Isaias

Finalmente hoje encontrei Seu Isaías como é conhecido José Isaías Pereira que aos 76 anos de vida pedala em BH há pelos menos 56 anos. “Eu ando de bicicleta desde os 6 anos de idade. Sou de Ponte Nova e quando vim para BH trouxe a minha Phillipes aro 26 toda preta. Quando cheguei com ela em BH em 1957 acabei vendendo-a e fiquei dois anos sem bicicleta. Mas foram somente esses dois anos! Eu já acabei com 6 bicicletas no pé. Usei-as até se acabarem totalmente” me disse.

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Seu Isaias pedala há mais de 50 anos em BH. Foto Gil Sotero

Mas cadê a Monark? perguntei. Ele sorriu e me respondeu: “Eu pedalo cerca 16 km por dia. Venho do Bairro Concórdia à Savassi e ainda ando por aqui para resolver coisas. Há pouco mais de um mês vendi outra bicicleta antiga e consegui comprar essa elétrica e estou adorando!. Aos 76 anos a gente fica mais cansado né?”. Isaias também contou como a bicicleta tem ajudado ele a ter forças para cuidar da esposa. “Há três anos eu cuido da minha esposa que está de cama após um AVC. Não sei o que seria se não fosse a bicicleta. Com a bici vou a farmácia, vou ao médico resolvo tudo para cuidar dela. Graças a magrela economizo e o pouco que tenho é para cuidar da minha esposa com quem vivi coisas maravilhosas e hoje é um dia de cada vez”. Finalizou seu Isaías que trabalha como porteiro na região da Savassi.

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Seu Isaías mostrando como a E-bike funciona. Foto Gil Sotero

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Se eu tivesse descoberto a bicicleta elétrica antes teria comprado mais cedo! disse seu Isaías. Foto Gil Sotero

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Descendo a Bahia

Quem pedala sabe que as vezes pegar a contramão ajuda no deslocamento. Este rapaz aproveitou e desceu um trecho da Bahia enquanto o fluxo era tranquilo. Mesmo que pareça fácil eu sempre advirto os ciclistas para evitar o máximo possível pedalar no contrafluxo. Leia aqui os motivos.

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Usar o meio-fio enquanto espera o tempo mais seguro para pedalar também é um macete dos mais experientes.

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Adolescentes

Gil Sotero

Aos poucos a cultura da bicicleta vai (re)encontrando “novos” adeptos em faixas etárias que historicamente sempre pedalaram mas que a cultura do motor, da velocidade, do “medo” e da super proteção afastou das bicicletas. É o caso de adolescentes que vivem na região centro sul de BH. Quando comecei o BH Cycle Chic há quase dois anos, raramente os via pedalando pelo centro. Agora sempre encontro adolescentes circulando em magrelas. E o melhor de tudo: sempre estão acompanhados. Isso me lembra a década de 80 quando todos meus amigos não queriam ser piloto de kart e seguir os passos de famosos da Fórmula 1.

criancas

As crianças e adolescentes da década de 80 e posteriores não usavam capacete e os pais não se preocupavam em ver os filhos pedalando. Elas preferiam pular de bike e “voar” como os garotos do filme “ET” ou partir em busca de “tesouros perdidos” como os personagens de “Os Goonies”. A manobra que todos queriam aprender era a de pular do barranco e passar por cima dos carros. A indústria automotiva que incentivou a velocidade nos centros urbanos tornou as ruas perigosas para os mais jovens e agora o sedentarismo está deixando essa geração doente. Mas há esperanças!.

Lutar por redução da velocidade nos centros urbanos além de exigir respeito aos ciclistas, ciclovias e campanhas de educação no trânsito pode resultar em um ambiente mais seguro para que crianças e adolescentes voltem a pedalar em massa em BH.

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Adolescentes pedalam na ciclovia da Av. Carandaí. BH. Foto Gil Sotero

Adolescentes usam o sistema Bike Share na ciclovia da Av. Carandaí. BH. Foto Gil Sotero

Adolescentes usam o sistema Bike Share na ciclovia da Av. Carandaí. BH. Foto Gil Sotero

Um das provas que mais crianças e adolescentes estão se interessando pela bicicleta é a presença deles nas aulas do Bike Anjo.

Criança aprende a pedalar no Bike Anjo – Parque Ecológico da Pampulha. Foto Gil Sotero

Filmes que inspiravam as crianças e adolescentes dos anos 80.

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No filme “Os Goonies” adolescente usam a bike para procurar um tesouro. Reprodução Internet.

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Cena do filme “ET” em que adolescentes fogem de bicicleta. Reprodução/Internet

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Tarifa Zero de verdade é pedalar

Com o início do ano os usuários de veículos automotores sabem que os custos dos transportes aumentam. Quem usa ônibus/metrô ou carro particular precisa se preocupar com aumento das tarifas, gasolina, IPVA etc. Tais custos depois são repassados para outros itens que eleva a inflação ao decorrer do ano.
Alheios a esse aumentos estão os bicicleteiro que não se preocupam pois continuam no verdadeiro esquema “Tarifa Zero”. É o caso de Dalvan Tobias. Ele é autônomo e usa a magrela como meio de transporte em BH há alguns anos: “Sempre tive bike e deve ter uns seis anos que a uso exclusivamente para deslocamentos. Moro no centro e aqui eu nunca pego ônibus! É só bicicleta e cadeado”, disse sorrindo.

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