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Descendo a Afonso Pena de Dobrável 

Enquanto fotografava ciclistas na Bernardo Monteiro observei muitos ciclistas descendo a Afonso Pena em direção ao centro. Praticamente todos os ciclistas eram homens. A avenida de trânsito intenso principalmente de ônibus pode parecer intimidadora mas vi essa garota descendo com uma dobrável, entre os carros, e sorrindo. Adoro a leveza e força das pessoas que usam essas bicicletas. 


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Contagem de Ciclistas  

Por Gil Sotero.

 

Estou participando da contagem de ciclistas de 2018. É uma ação promovida pela Associação de Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte e outras entidades para subsidiar e fomentar, de informações, politicas públicas voltadas para quem usa a bicicleta na cidade.

Como sempre é um prazer poder ficar horas fotografando e quando possível entrevistando pessoas que, sem saber, contribuem para uma cidade mais humana.   Na última quinta, 10, ficamos na avenida Tereza Cristina o dia inteiro. Os dados em breve estarão disponíveis, enquanto, isso vou, no meu turno, vou fazendo os registros.

“Eu amo bicicleta, faz bem para a gente.  É um prazer que temos na vida. Eu a uso para me deslocar diariamente. Agora mesmo estou indo fazer compras para meu bazar. acho que bicicleta rejuvenesce, principalmente pessoas como eu que possuem mais de 15 anos (risos)”. Marta Rosa, lojista, 54.


Curioso também foi observar como certas bicicletas são compartilhadas por funcionários de comércios próximos à ciclovia. Esta bicicleta rosa por exemplo vi passar várias vezes e cada hora com uma pessoa. Bicicleta coletiva no trabalho. Gostei.

 

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Meias 

Quem pedala commuter já deve ter chegado com  a barra da calça suja por causa da catraca. Solução? Meias. Além de prender a calça é uma peça menor para se lavar e basta puxar a calça por cima dela que a sujeira some das vistas. 

Fotos Sotero. 

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Na Manifestação 

No dia 15 de março de 2017 milhares de pessoas foram às ruas protestar contra a reforma da previdência no Brasil. Algumas pessoas foram de bicicleta. Onde há gente a bicicleta também está lá. 

“Com a bicicleta para chegar em grandes atos a gente foge do trânsito, do transporte público ruim e ainda ganha saúde para nós e outros já que a bike não polui a cidade” Luiza, advogada.

 

Luiza. Foto Gil Sotero


“Primeiramente Fora Temer! Depois que passei a usar a bicicleta o tempo de desfrute da cidade aumentou. Agora eu reconheço as árvores da cidade e escolho  meu caminho” Renata Queiroz, atriz e psiquiatra. 

Renata Queiroz, atriz e psiquiatra – Foto Gil Sotero


Eu também estava lá e de Bici. 

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Polícia Militar ameaça prender ciclistas e impede manifestação mundial em BH

Por Gil Sotero 
Na noite desse sábado, 11, um grupo de 40 ciclista que pretendiam realizar em Belo Horizonte a World Naked Bike Ride (WNBR), pelo quarto anos consecutivo, também conhecida em português por Pedalada Pelada, foram impedidos de tirarem suas roupas pela Polícia Militar de Minas Gerais. 

Durante a concentração do WNBR na Praça do Ciclista, 3 viaturas chegaram ao local e os policiais militares abordaram e “avisaram” os ciclistas que se alguém tirasse a roupa seria preso.       

Foto Gil Sotero

 

Os tenentes Jackson, Antonio e Nayara do Primeiro Batalhão da PM declararam que somente poderiam deixar os ciclista seguirem com o protesto sem roupas se tivessem uma liminar. “Não podemos deixá-los sair pois fere a constituição a nudez em lugares públicos”, declarou um dos tenentes. 

Para participantes a ação da PM não é novidade. “Isso já era esperado caso a aparecesse no local. Mesmo sendo um evento mundial, pontual e em tom de protesto, a mentalidade de grande parte dos moradores de Belo Horizonte é muito conservadora sobre esse tema” declarou Bruna Caldeira, ciclista e co-organizadora do evento. 

Especialista em direito afirma que a PM mostrou o despreparo e desconhecimento da legislação em lidar com o evento. ‘A PM demonstrou seu caracteristico despreparo na ação contra o ‘Pedalada Pelada’ de BH, primeiramente por cercar a concentração e impedir o protesto alegando ‘Atentado ao pudor’. A principio, essa expressão que era utilizada de forma errada para definir “ato obsceno em público” (Art 233 CP). O Atentado ao pudor não existe! Existiu no Código Penal o crime do “Atentado Violento ao Pudor” que era – Conjunção Carnal Diversa do Estupro, ou seja sexo não convencional, como se entende popularmente. Tambem o protesto não se enquadrava em ato obsceno pois não havia nada alem do nú, que não é tipificado no código penal brasileiro, e como não se perturbava a ordem pública, e a organização avisou as autoridades responsaveis sobre o pedal a ser realizado, nada de ilegal havia neste ato. Lembrando que este protesto ocorre em SP e RJ sem problemas” escreveu o advogado e também ciclista Eric Elias. 

Foto Gil Sotero

O World Naked Bike Ride (WNBR) integra uma agenda mundial em que ciclistas, skatistas e patinadores, através de seus corpos nus, chamam a atenção da sociedade para a fragilidade das pessoas em veículos não motorizados pela cidade. Segundo os organizadores ao pedalar nus ou com pouca roupa, os participantes dão visibilidade aos meios de transportes não motorizados e deixam de ser “invisíveis”. 

A primeira edição oficial do evento ocorreu em 12 de junho de 2004 na Austrália, Itália, Países Baixos, Rússia e Estados Unidos. Atualmente ocorre em vários países. 

Em Belo Horizonte acontece desde 2013. Na mesma noite São Paulo também realizou o evento, sem interferências ou liminar exigidas pela polícia militar de lá. 
Em BH após a confusão ciclistas dispersaram e se reencontraram em outro ponto longe dos olhares da Polícia Militar e fizeram um “protesto fotográfico” contra a atitude da PM. 

Em assembleia no local os ciclistas decidiriam realizar a pedalada em outra data e munidos da liminar. 

Depois seguiram nús em direção à zona leste da cidade.  

O episódio de repressão a nudez traz à tona a visão entendimento social não-laico a respeito do corpo.  A leitura do corpo nú, e a repressão começou no Brasil pelo massacre branco europeu cristão à populações indígenas que tinham na nudez o conceito de corpo e sua representatividade. Corpos nus em um país tropical era uma afronta na visão dos misóginos e machistas colonizadores. Há teses e farta publicação sobre isso. “O estranhamento em relação à nudez desses povos é a cara e a cor da violência e da escravidão a que foram submetidos os indígenas no Brasil e na América Latina” Pedro Pulzatto Peruzzo advogado, professor pesquisador da PUC-Campinas.

A nudez é um dos motivos de massacre desde a época das colonizações da América do Sul. 

Tela de Jean Baptiste Debret, 1830, mostra família guarani levada por caçadores

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Bike Courier Style

Pedalando uma linda caloi ceci verde conversei um pouco com Lilian. Uma das poucas bike courier da cidade que adora moda e bicicleta.

“Comecei usar a bike para não depender de ônibus na faculdade em 2010 e com o tempo fui conhecendo melhor a cidade, novos amigos que pedalam até que chegou uma hora em que decidi ser bike courier  pois pedalar em BH virou algo essencial na minha vida.  Com a bicicleta é muito mais fácil interagir com a cidade. Eu mantenho meu estilo. Apenas uso a “roupa de ciclista” como uniforme quando estou a trabalho.

Nos meus compromissos sociais vou com roupas normais. Como designer de moda fico sempre atenta aos acessórios, tenho feito vários para meu uso.  A bicicleta parece estar na moda mas nem tanto. A maioria das marcas usam as bicicletas em campanhas publicitaria como parte do cenário ou em um momento específico mas ainda não atentaram para um estilo de vida na bicicleta e a necessidade de desenvolver peças de roupas mais confortáveis e adequadas para quem pedala e que não quer um visual esportista. A bicicleta faz parte do meu estilo. É a minha moda “, Lilian Parreiras , 30 anos, designer de moda e bike courier.

Fotos; Gil Sotero

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Berlineteiro

Aproveitando que amanhã, domingo 29, acontece em BH o Bicicleretta, um passeio em homenagem às bicicletas de aro 20 produzidas no Brasil até a década de 80; Monaretas e Berlinetas, vamos destacar pessoas que fazem dessas bikes um estilo de vida!  

“Sempre trabalhei na região central e o caos no trânsito e a falta de respeito dos motoristas me afastou do querer “tirar carteira “. Em uma oportunidade de transferência de trabalho para a região da Pampulha (região que moro)  garimpei em ferro velho quadros de berlineta, pensando em dar um final mais digno a elas que nos anos 70/80 eram o símbolo de mobilidade urbana e foi a minha primeira bicicleta.  Eu uso nos meus deslocamentos diários.  Tenho Berlinetas e Monaretas.   Melhorou muito a questão de qualidade de vida e a região da Pampulha é ideal para as aro 20” Wagner Braccini, 42, artisfa plástico.