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Na Manifestação 

No dia 15 de março de 2017 milhares de pessoas foram às ruas protestar contra a reforma da previdência no Brasil. Algumas pessoas foram de bicicleta. Onde há gente a bicicleta também está lá. 

“Com a bicicleta para chegar em grandes atos a gente foge do trânsito, do transporte público ruim e ainda ganha saúde para nós e outros já que a bike não polui a cidade” Luiza, advogada.

 

Luiza. Foto Gil Sotero


“Primeiramente Fora Temer! Depois que passei a usar a bicicleta o tempo de desfrute da cidade aumentou. Agora eu reconheço as árvores da cidade e escolho  meu caminho” Renata Queiroz, atriz e psiquiatra. 

Renata Queiroz, atriz e psiquiatra – Foto Gil Sotero


Eu também estava lá e de Bici. 

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Polícia Militar ameaça prender ciclistas e impede manifestação mundial em BH

Por Gil Sotero 
Na noite desse sábado, 11, um grupo de 40 ciclista que pretendiam realizar em Belo Horizonte a World Naked Bike Ride (WNBR), pelo quarto anos consecutivo, também conhecida em português por Pedalada Pelada, foram impedidos de tirarem suas roupas pela Polícia Militar de Minas Gerais. 

Durante a concentração do WNBR na Praça do Ciclista, 3 viaturas chegaram ao local e os policiais militares abordaram e “avisaram” os ciclistas que se alguém tirasse a roupa seria preso.       

Foto Gil Sotero

 

Os tenentes Jackson, Antonio e Nayara do Primeiro Batalhão da PM declararam que somente poderiam deixar os ciclista seguirem com o protesto sem roupas se tivessem uma liminar. “Não podemos deixá-los sair pois fere a constituição a nudez em lugares públicos”, declarou um dos tenentes. 

Para participantes a ação da PM não é novidade. “Isso já era esperado caso a aparecesse no local. Mesmo sendo um evento mundial, pontual e em tom de protesto, a mentalidade de grande parte dos moradores de Belo Horizonte é muito conservadora sobre esse tema” declarou Bruna Caldeira, ciclista e co-organizadora do evento. 

Especialista em direito afirma que a PM mostrou o despreparo e desconhecimento da legislação em lidar com o evento. ‘A PM demonstrou seu caracteristico despreparo na ação contra o ‘Pedalada Pelada’ de BH, primeiramente por cercar a concentração e impedir o protesto alegando ‘Atentado ao pudor’. A principio, essa expressão que era utilizada de forma errada para definir “ato obsceno em público” (Art 233 CP). O Atentado ao pudor não existe! Existiu no Código Penal o crime do “Atentado Violento ao Pudor” que era – Conjunção Carnal Diversa do Estupro, ou seja sexo não convencional, como se entende popularmente. Tambem o protesto não se enquadrava em ato obsceno pois não havia nada alem do nú, que não é tipificado no código penal brasileiro, e como não se perturbava a ordem pública, e a organização avisou as autoridades responsaveis sobre o pedal a ser realizado, nada de ilegal havia neste ato. Lembrando que este protesto ocorre em SP e RJ sem problemas” escreveu o advogado e também ciclista Eric Elias. 

Foto Gil Sotero

O World Naked Bike Ride (WNBR) integra uma agenda mundial em que ciclistas, skatistas e patinadores, através de seus corpos nus, chamam a atenção da sociedade para a fragilidade das pessoas em veículos não motorizados pela cidade. Segundo os organizadores ao pedalar nus ou com pouca roupa, os participantes dão visibilidade aos meios de transportes não motorizados e deixam de ser “invisíveis”. 

A primeira edição oficial do evento ocorreu em 12 de junho de 2004 na Austrália, Itália, Países Baixos, Rússia e Estados Unidos. Atualmente ocorre em vários países. 

Em Belo Horizonte acontece desde 2013. Na mesma noite São Paulo também realizou o evento, sem interferências ou liminar exigidas pela polícia militar de lá. 
Em BH após a confusão ciclistas dispersaram e se reencontraram em outro ponto longe dos olhares da Polícia Militar e fizeram um “protesto fotográfico” contra a atitude da PM. 

Em assembleia no local os ciclistas decidiriam realizar a pedalada em outra data e munidos da liminar. 

Depois seguiram nús em direção à zona leste da cidade.  

O episódio de repressão a nudez traz à tona a visão entendimento social não-laico a respeito do corpo.  A leitura do corpo nú, e a repressão começou no Brasil pelo massacre branco europeu cristão à populações indígenas que tinham na nudez o conceito de corpo e sua representatividade. Corpos nus em um país tropical era uma afronta na visão dos misóginos e machistas colonizadores. Há teses e farta publicação sobre isso. “O estranhamento em relação à nudez desses povos é a cara e a cor da violência e da escravidão a que foram submetidos os indígenas no Brasil e na América Latina” Pedro Pulzatto Peruzzo advogado, professor pesquisador da PUC-Campinas.

A nudez é um dos motivos de massacre desde a época das colonizações da América do Sul. 

Tela de Jean Baptiste Debret, 1830, mostra família guarani levada por caçadores

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Bike Courier Style

Pedalando uma linda caloi ceci verde conversei um pouco com Lilian. Uma das poucas bike courier da cidade que adora moda e bicicleta.

“Comecei usar a bike para não depender de ônibus na faculdade em 2010 e com o tempo fui conhecendo melhor a cidade, novos amigos que pedalam até que chegou uma hora em que decidi ser bike courier  pois pedalar em BH virou algo essencial na minha vida.  Com a bicicleta é muito mais fácil interagir com a cidade. Eu mantenho meu estilo. Apenas uso a “roupa de ciclista” como uniforme quando estou a trabalho.

Nos meus compromissos sociais vou com roupas normais. Como designer de moda fico sempre atenta aos acessórios, tenho feito vários para meu uso.  A bicicleta parece estar na moda mas nem tanto. A maioria das marcas usam as bicicletas em campanhas publicitaria como parte do cenário ou em um momento específico mas ainda não atentaram para um estilo de vida na bicicleta e a necessidade de desenvolver peças de roupas mais confortáveis e adequadas para quem pedala e que não quer um visual esportista. A bicicleta faz parte do meu estilo. É a minha moda “, Lilian Parreiras , 30 anos, designer de moda e bike courier.

Fotos; Gil Sotero

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Berlineteiro

Aproveitando que amanhã, domingo 29, acontece em BH o Bicicleretta, um passeio em homenagem às bicicletas de aro 20 produzidas no Brasil até a década de 80; Monaretas e Berlinetas, vamos destacar pessoas que fazem dessas bikes um estilo de vida!  

“Sempre trabalhei na região central e o caos no trânsito e a falta de respeito dos motoristas me afastou do querer “tirar carteira “. Em uma oportunidade de transferência de trabalho para a região da Pampulha (região que moro)  garimpei em ferro velho quadros de berlineta, pensando em dar um final mais digno a elas que nos anos 70/80 eram o símbolo de mobilidade urbana e foi a minha primeira bicicleta.  Eu uso nos meus deslocamentos diários.  Tenho Berlinetas e Monaretas.   Melhorou muito a questão de qualidade de vida e a região da Pampulha é ideal para as aro 20” Wagner Braccini, 42, artisfa plástico.


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Cinco C’s

Vi esta garota pedalando tranquilamente na Rua Niquelina, Santa Efigênia, BH, e me lembrei de uma nota que li há um tempo. 

“De acordo com o relatório produzido pela organização The Bike League’s Women, existem “cinco Cs” que levam as mulheres a usarem mais a bicicleta: conforto, conveniência, compras de produtos, confiança e senso de comunidade. Na Holanda, mais da metade dos ciclistas é composta por mulheres; já nos Estados Unidos esse número chega a ser menos de um quarto. O motivo apontado para que isso ocorra não é o medo do trânsito nas ruas agitadas das grandes cidades, mas sim a desigualdade entre os modelos de família. Apesar de todo o progresso ao longo dos anos, a vida da mulher ainda está repleta de atividades domésticas, além do cuidado dos filhos, da família e da jornada de trabalho fora de casa”. Fonte VádeBike

Não é o medo das ruas que impedem as mulheres de pedalarem tanto quanto os homens. 

foto G. Sotero.